Rússia desafia EUA a mostrar “provas concretas” de que Putin é corrupto

Responsável do Departamento do Tesouro norte-americano acusou, em declarações à BBC, o Presidente russo de mascarar a sua verdadeira riqueza.

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O Kremlin rejeitou esta terça-feira como “pura difamação” as acusações de corrupção feitas contra o Presidente Vladimir Putin divulgadas pelo Departamento do Tesouro dos EUA numa reportagem da BBC. Moscovo desafia Washington a mostrar “provas concretas” das alegações feitas por um responsável norte-americano que disse que o Governo dos Estados Unidos já sabe, “há muitos, muitos anos”, que o Presidente russo é corrupto.

“É uma pura invenção e uma difamação, sem relação com a realidade. Já estamos habituados a este tipo de falsificações jornalísticas, ligadas à incompetência, ao sensacionalismo ou à encenação”, disse aos jornalistas o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. “Tudo não passaria de mais um exemplo deste jornalismo irresponsável se não fosse o facto de conter comentários oficiais do Tesouro americano”, acrescentou Peskov. “Acusações deste gênero, feitas por uma instituição como o Tesouro americano sem mostrar provas concretas, só servem para ensombrar essa instituição.”

Entrevistado pelo programa Panorama, da BBC, que investigou a origem da riqueza de Vladimir Putin, o responsável do Departamento do Tesouro para o terrorismo e crimes financeiros, Adam Szubin, admitiu que os Estados Unidos têm seguido a trajetória financeira do líder russo, que ao longo dos anos tem vindo a acumular riqueza em segredo. “[Putin] supostamente recebe um salário anual de cerca de 110 mil dólares [101 mil euros]. Mas essa não é a verdadeira dimensão da sua riqueza, que ele há muitos anos aprendeu a mascarar”, acusou.

“Vimo-lo usar os bens estatais para enriquecer os seus amigos e aliados mais próximos, e marginalizar aqueles que ele considera como detratores. Fá-lo através da riqueza energética da Rússia, e através de outros contratos estatais, que ele direciona para aqueles que ele acredita que lhe serão úteis e de que exclui aqueles que se recusam a servi-lo. Ora, para mim, essa é a imagem da corrupção”, afirmou Adam Szubin, o homem que supervisiona o regime de sanções dos Estados Unidos.

Pesokov insistiu: não nos cabe a nós exigirmos provas, esse é o papel que cabe ao Tesouro americano, que deve mostrá-las e provar que as suas declarações oficiais não passam de uma pura e simples difamação”.

Os investigadores do Panorama, da BBC, entrevistaram pessoas com “conhecimento em primeira mão” da riqueza secreta do Presidente da Rússia, entre as quais Dmitri Skarga, o antigo responsável pela armadora estatal Sovcomflot. Segundo o seu testemunho, Putin recebeu um iate de 57 metros, o Olympia, no valor de 35 milhões de dólares, do magnata Roman Abramovich, dono do clube de futebol inglês Chelsea.

O antigo responsável da Sovcomflot garantiu que foi através da Sovcomflot (e do erário público) que foi feita toda a manutenção e pagos todos os custos do iate – tudo feito em segredo, porque o iate pertencia a Putin e não ao Estado.

Público

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